O que é a Apneia Obstrutiva do Sono?

A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é caracterizada por episódios repetidos de obstrução completa (apneia) ou parcial (hipopneia) das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em quedas na saturação de oxigênio e despertares frequentes — mesmo que o paciente não se lembre deles.

Diferente do ronco simples, a AOS fragmenta o descanso noturno de forma repetida, comprometendo a recuperação do organismo e gerando uma cascata de consequências para a saúde cardiovascular, metabólica e cognitiva.

Definições técnicas e classificação por gravidade

O principal parâmetro para classificar a AOS é o Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) — número de eventos respiratórios por hora de sono:

  • Apneia: cessação completa do fluxo de ar por pelo menos 10 segundos.
  • Hipopneia: redução significativa (≥30%) do fluxo de ar com dessaturação de oxigênio (≥3%) ou despertar.
  • Normal: IAH menor que 5 eventos/hora.
  • AOS leve: IAH entre 5 e 15 eventos/hora.
  • AOS moderada: IAH entre 15 e 30 eventos/hora.
  • AOS grave: IAH acima de 30 eventos/hora.

Essa classificação é essencial para definir o tratamento mais adequado a cada perfil de paciente.

Fisiopatologia: por que a via aérea colapsa?

A AOS resulta da combinação de fatores anatômicos e neuromusculares que predispõem ao colapso da faringe durante o sono.

Causas anatômicas

  • Hipertrofia de amígdalas e adenóide: reduz o espaço faríngeo disponível.
  • Palato mole alongado e úvula hipertrofiada: vibram e colapsam durante o sono.
  • Desvio de septo nasal e hipertrofia de cornetos: aumentam a resistência nasal, forçando a respiração bucal e agravando o colapso faríngeo.
  • Retrognatia (queixo retraído): reduz o espaço retrofaríngeo.
  • Obesidade: depósito de gordura na região cervical comprime as vias aéreas superiores.
  • Macroglossia (língua aumentada): base da língua que ocupa espaço excessivo.

Causas neuromusculares

Durante o sono REM, ocorre redução fisiológica do tônus muscular. Em pacientes com AOS, essa atonia permite o colapso das paredes faríngeas, especialmente quando há predisposição anatômica associada. Álcool, sedativos e privação de sono agravam esse mecanismo.

Sintomas: o que a AOS causa no dia a dia

  • Ronco alto e frequente — nem sempre presente, mas muito comum.
  • Pausas respiratórias durante o sono — percebidas pelo parceiro(a).
  • Engasgos ou sufocamentos noturnos.
  • Sono não reparador — acorda cansado mesmo após muitas horas dormindo.
  • Sonolência diurna excessiva — dificuldade de se manter acordado em situações passivas.
  • Cefaleia matinal — dor de cabeça ao acordar.
  • Irritabilidade, ansiedade e alterações de humor.
  • Dificuldade de concentração e memória.
  • Noctúria — necessidade de urinar durante a noite.

Consequências sistêmicas da AOS não tratada

Cardiovasculares

A AOS é fator de risco independente para hipertensão arterial (presente em 30-50% dos hipertensos), fibrilação atrial, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e AVC. As quedas repetidas de oxigenação ativam o sistema nervoso simpático e promovem inflamação vascular crônica.

Metabólicos

Resistência à insulina, piora do controle glicêmico e dificuldade de perda de peso estão associados à AOS. A relação com obesidade é bidirecional: a apneia dificulta o emagrecimento, e o excesso de peso piora a apneia.

Neurocognitivos e qualidade de vida

Sonolência diurna com risco de acidentes automobilísticos, déficit de memória, dificuldade de aprendizado, fadiga crônica e comprometimento das relações pessoais e profissionais completam o quadro de impactos da AOS não tratada.

Avaliação e conduta com a Dra. Loyane Bronzon

A avaliação inclui anamnese completa, exame físico otorrinolaringológico minucioso, videonasolaringoscopia na consulta e, quando indicado, polissonografia para confirmar o diagnóstico e graduar a gravidade da AOS.

O tratamento é individualizado — desde modificações comportamentais (posição ao dormir, emagrecimento, suspensão de álcool) até dispositivos (CPAP, aparelhos intraorais) e cirurgia para causas anatômicas específicas, sempre baseado no perfil e na gravidade de cada paciente.

Agende sua Consulta

A apneia do sono tem tratamento eficaz. Se você tem sintomas, não espere. Consulte a Dra. Loyane Bronzon na Clínica Óris, em Belo Horizonte.

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