Quando as otites se tornam recorrentes
A otite média aguda (OMA) é a infecção bacteriana da orelha média — uma das infecções mais comuns na infância. Define-se como otite média aguda recorrente quando ocorrem:
- 3 ou mais episódios em 6 meses, ou
- 4 ou mais episódios em 12 meses.
Quando esse padrão se estabelece, o ciclo de infecção, antibiótico, melhora temporária e nova infecção passa a comprometer significativamente a qualidade de vida da criança e da família — e exige investigação das causas predisponentes.
Por que as otites se repetem: a fisiopatologia
A orelha média se comunica com a rinofaringe através da tuba auditiva (trompa de Eustáquio). Em crianças, a tuba é mais horizontal, mais curta e mais estreita do que nos adultos — tornando-a mais propensa a disfunções.
A sequência típica que leva à OMA: resfriado viral → inflamação da mucosa nasal → disfunção da tuba auditiva → acúmulo de líquido na orelha média → colonização bacteriana → infecção aguda.
Quando há fatores que perpetuam a disfunção da tuba (como adenóide aumentada ou rinite não controlada), as infecções se repetem indefinidamente.
Principais fatores de risco
- Hipertrofia de adenóide: obstrui o óstio da tuba auditiva na rinofaringe — principal fator de risco tratável em crianças.
- Rinite alérgica não controlada: inflamação persistente que compromete a função da tuba.
- Frequentar creche: maior exposição a vírus e bactérias, aumentando a frequência de resfriados.
- Tabagismo passivo: a fumaça do cigarro aumenta o risco de infecções respiratórias e otites.
- Uso prolongado de chupeta: altera a dinâmica da tuba auditiva.
- Alimentação em posição horizontal (bebês): favorece o refluxo de líquido para a orelha média.
- Predisposição genética familiar.
- Imunodeficiências (primárias ou secundárias).
Sintomas da otite média aguda
Em crianças
- Otalgia (dor de ouvido) intensa.
- Irritabilidade, choro persistente (em bebês que não conseguem indicar onde dói).
- Febre.
- Dificuldade para dormir (a dor piora em decúbito).
- Otorreia (saída de secreção pelo ouvido) quando há perfuração timpânica.
Em adultos
- Dor de ouvido e sensação de pressão ou plenitude aural.
- Febre e otorreia.
- Perda auditiva temporária.
Consequências das otites de repetição
- Perda auditiva temporária ou persistente: o líquido acumulado prejudica a transmissão do som. Quando persiste por meses, pode atrasar o desenvolvimento da fala.
- Perfuração timpânica persistente: a membrana não cicatriza adequadamente após múltiplos episódios.
- Otite média crônica supurativa: infecção persistente com otorreia crônica.
- Colesteatoma: crescimento anormal de pele dentro da orelha média, que pode destruir estruturas ósseas e causar complicações graves.
- Mastoidite: infecção do osso mastoide — uma complicação potencialmente grave.
- Resistência bacteriana: uso frequente de antibióticos sem indicação adequada contribui para esse problema de saúde pública.
Programa de acompanhamento da Dra. Loyane
O objetivo não é apenas tratar cada episódio, mas identificar e resolver os fatores predisponentes. O programa inclui:
- Adenoidectomia: quando há hipertrofia de adenóide significativa, a remoção reduz drasticamente as otites recorrentes.
- Tubos de ventilação (carretéis): em casos selecionados, permitem a ventilação e drenagem da orelha média — indicados para otite média com efusão persistente ou otites recorrentes refratárias.
- Tratamento da rinite alérgica: controle clínico para reduzir a inflamação que perpetua a disfunção da tuba.
- Acompanhamento auditivo seriado: monitoramento da audição ao longo do tratamento.
- Orientação familiar: diferença entre infecção viral e bacteriana, quando usar antibiótico de fato.
Agende a Consulta do seu Filho(a)
Otites que se repetem exigem investigação da causa. Consulte a Dra. Loyane Bronzon na Clínica Óris, em Belo Horizonte, e quebre o ciclo de infecções.
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