Respirar pelo nariz não é detalhe, é fisiologia

A respiração nasal é a forma fisiológica correta de respirar. Além de conduzir o ar, o nariz filtra, aquece, umidifica e produz óxido nítrico, uma molécula com propriedades antimicrobianas e vasodilatadoras que melhora a oxigenação. Nenhuma dessas funções é realizada pela boca.

Quando a criança, ou adulto, passa a respirar predominantemente pela boca, geralmente é porque não consegue respirar bem pelo nariz. A respiração bucal é quase sempre uma consequência, não uma escolha. E quando se prolonga, pode gerar uma série de alterações que compõem a Síndrome do Respirador Bucal.

Alterações craniofaciais: a "fácies adenoidiana"

A respiração bucal crônica na infância pode comprometer o desenvolvimento da face, porque o estímulo da respiração nasal é essencial para o crescimento adequado do palato e das estruturas craniofaciais:

  • Alongamento facial: a face cresce mais verticalmente e menos horizontalmente, face estreita e alongada.
  • Palato ogival: palato alto e estreito, decorrente da falta de pressão da língua sobre ele.
  • Mordida aberta anterior: os dentes da frente não se tocam.
  • Mordida cruzada posterior: dentes superiores e inferiores não se encaixam corretamente.
  • Retrognatia: queixo pode ficar retraído.
  • Hipotonia facial: flacidez da musculatura facial, lábios entreabertos e expressão "cansada".

Alterações posturais

  • Anteriorização da cabeça: para compensar a obstrução e ampliar o espaço da via aérea, a criança projeta a cabeça para frente.
  • Alterações na coluna cervical: a postura compensatória pode levar a dores e alterações posturais mais extensas ao longo do tempo.
  • Alterações nos ombros e na postura geral: decorrentes da compensação postural crônica.

Alterações do sono e comportamentais

  • Ronco: muito comum em crianças respiradoras bucais, pela resistência aumentada da via aérea.
  • Apneia do sono infantil: a obstrução nasal e o edema faríngeo contribuem para pausas respiratórias.
  • Sono agitado: movimentação excessiva à noite, dificuldade de manter uma posição.
  • Enurese noturna: pode estar associada aos distúrbios respiratórios do sono.
  • Sonolência diurna ou hiperatividade: a privação de sono reparador pode se manifestar como agitação e dificuldade de concentração, confundida com TDAH.
  • Baixo rendimento escolar: consequência do sono inadequado e das alterações cognitivas.

Outros sinais característicos

  • Olheiras marcadas: congestão venosa por obstrução nasal crônica.
  • Baba no travesseiro: boca aberta durante o sono.
  • Halitose: a boca seca favorece o crescimento bacteriano e o mau hálito.
  • Infecções de repetição: maior predisposição a amigdalites, faringites e sinusites pela ausência da filtração nasal.
  • Voz anasalada: adenoide obstruindo a rinofaringe.

Como a Dra. Loyane avalia e conduz

A avaliação começa com a identificação da causa da obstrução nasal, porque tratar o sintoma (respiração bucal) sem tratar a causa não resolve o problema. Com videonasolaringoscopia na consulta, é possível visualizar em tempo real adenoide, fossas nasais e outras estruturas, determinando o plano de tratamento adequado.

Quando necessário, o cuidado é integrado com fonoaudiólogo (reabilitação miofuncional orofacial), ortodontista (expansão de palato, correção de mordida) e outros especialistas para abordar todas as consequências de forma coordenada.

Perguntas frequentes

Meu filho dorme de boca aberta e babando o travesseiro, é normal?

Não é o padrão esperado: dormir de boca aberta e babar o travesseiro geralmente indica que a criança não consegue respirar bem pelo nariz durante o sono. Vale associar a outros sinais, como ronco, olheiras e sono agitado, e levar para avaliação otorrinolaringológica.

Respiração bucal pode ser confundida com TDAH?

Pode, sim. A má qualidade do sono causada pela respiração bucal gera sonolência diurna, dificuldade de concentração e agitação, quadro que se sobrepõe aos sintomas de TDAH. Por isso, antes de fechar esse diagnóstico, vale investigar se existe uma causa respiratória tratável por trás do comportamento.

Respiração bucal muda o formato do rosto da criança?

Sim, quando é crônica na infância: a falta do estímulo da respiração nasal pode alterar o crescimento do palato e da face, gerando alongamento facial, palato ogival e mordida aberta. A Dra. Loyane Bronzon, em Vila da Serra (Nova Lima/MG), trata a causa da obstrução para reduzir essas consequências.

Agende sua Consulta

Respiração bucal tem tratamento, e o diagnóstico precoce reduz as consequências no desenvolvimento. Consulte a Dra. Loyane Bronzon em Nova Lima e região.

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